A maternidade não é plena

João nasceu e eu descobri que não o queria. Queria minha vida de volta: rotina, trabalho, marido. Meu controle. “O que eu faço com esse moleque? Se eu der um remedinho pra ele dormir pra sempre, será que alguém vai perceber?”. Depressão pós-parto. Das piores. Terapias, remédios, surtos. Mãe doente, filho doente. Demorou mais de um ano, mas passou. E foi a experiência mais transformadora da minha vida. Ser mãe é perder o controle da vida.

Texto escrito para a Oficina Escrever Simples, da jornalista Silvia Amélia de Araújo

12 Brunch “Culpa, Não” Revista Pais & Filhos – Depressão Pós-Parto

Oi amores, tudo bem?

Ontem eu tive o prazer de participar mais uma vez de um Brunch do “Culpa, Não”, iniciativa incrível da Revista Pais & Filhos, da Editora Manchete. A definição do “Culpa, Não!” é a seguinte: Nasce a mãe e com ela, a culpa. Mas não precisa ser assim… Uma campanha da revista Pais & Filhos. A página no site da revista e a comunidade no Facebook dá voz para que as mães compartilhem as suas experiências de maneira saudável, sem julgamentos e, claro, tentando sem minimizar a culpa.

culpa nao

Desde o começo do projeto, “pago um pau” pra ele porque as editoras tiveram o culhão de tocar em assuntos delicadíssimos, como parto normal X cesárea, a interrupção da amamentação e agora a depressão pós-parto.

Aí, participei do brunch 10, que falava sobre a importância da culpa em relação à responsabilidade. Lá, pude contar sobre a DPP e fui entrevistada para esta matéria, que saiu no site:

Achei demais porque sempre adoro contar o que aconteceu comigo para ajudar outras mulheres na mesma situação. Quando começaram a pipocar as chamadas para este brunch específico de DPP, já me convidei, hehehe… E lá eu fui!

Os brunchs sempre têm um convidado especial: obstetras, pediatras, psicólogos, etc. Dessa vez, tivemos o privilégio de conversa com o Dr. Leonardo Posternak (veja entrevista com ele aqui), um pediatra incrível e que já colabora com a revista há 10 anos.

Ele é de uma sensibilidade impressionante! Olha aí algumas coisas que ele falou:

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“O pediatra não deve entender só de criança, mas também da alma feminina”.

“Em duas histórias as crianças acabaram tendo quadros de refluxo. A criança usa o único elemento que ele tem para dar essa reação. Ela não se revolta, não se deprime, ela tem refluxo. O refluxo é um sintoma de um ambiente emocional complicado, a criança nessa idade não pode se deprimir nem se neurotizar, ela expressa pelo corpo”.

“A verdade deve sempre ser dita para as crianças, independentemente da idade. A criança precisa poder confiar nos seres que mais ama. Se você adotou um bebê, conte para ele que o adotou assim que chegarem em casa. Essa é uma prática chamada de ‘banho de palavra’ que é, quando você já estiver bem, sentar e contar para o seu filho o que aconteceu. A pior situação de uma família é o segredo, o não falar”.

“De dois a três meses antes de ter o filho e dois a três meses depois é o período chamado pelo pediatra e psicanalista Winnicott de preocupação materna primária ou loucura materna. Essa loucura é saudável. Se a mãe não for louca como vai traduzir “mã” como mamãe e inserir o filho na linguagem?”

“Se dê ao luxo de perceber que o filho também recebe nossa ira. Não é só amor e palavras poéticas. A raiva existe!”.

Olha, virei fã!

Me emocionei muito com as histórias contadas. Foi um chororô só, vocês podem imaginar, né? Mas foi um momento de alegria, de compartilhar experiências e perceber que somos todas vitoriosas, cada uma a seu jeito, com suas dificuldades pessoais e cada uma em um estágio da vida.

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E o mais importante: mesmo com um começo de relacionamento conturbado, todas amam demais os seus filhos. E eles são os maiores beneficiados pelo nosso crescimento pessoal.

Beijos a todos!

É hoje que você faz um ano!


Há um ano atrás, eu escrevi esse texto aqui. Ainda é bem cedinho e você está dormindo, mas eu precisava escrever. Comecei o outro post descrevendo o tempo. Dessa vez, eu não tenho ainda informações precisas. Não são nem 7 horas da manhã, o sol está escondido, ainda rola aquele orvalho delicioso da manhã… Eu já arrumei a sua mala da escola (na verdade, ainda falta lavar a sua mamadeira e colocar o leite na mochila, mas isso sempre fica por último). Você dorme na cama com o papai. Essa noite você acordou para tomar uma mamadeira e dar uma choradinha básica, como tem feito regularmente, hehehehe…

Você nasceu em uma sexta-feira e o seu primeiro aniversário também caiu em uma sexta-feira. Dia delicioso para comemorar aniversário! Provavelmente, a sua madrinha vem dormir aqui hoje para a gente fazer bagunça. Domingo é o dia da sua festa. A tão esperada festa, que o papai e a mamãe querem tanto fazer! A gente vai se divertir bastantão!

Nesse primeiro ano, filho, aconteceu tanta coisa, mas tanta coisa, que daria um livro. Pelo menos, um capítulo beeem grande de um livro daria para escrever. Foi a tal da depressão pós-parto da mamãe, você ficou doentinho várias vezes, as decisões que a gente teve que tomar de te deixar na escola ou com babá e há pouco tempo o seu vovô Alvim virou estrelinha e o papai ficou disponível para o mercado de trabalho (hahaha). Essa foi a parte ruim. Mas também tem a parte maravilhosa, que supera tudo isso e que nos dá força para levantar todos os dias e enfrentar esses problemas: o seu sorriso, o amor de pai e mãe que a gente descobriu após o seu nascimento, o seu olhar dentro dos nosso olhos, a sua risada, as suas gracinhas, os seus cocôs bonitos (é, depois que a gente vira pai e mãe, os cocôs bonitos são comemorados, hahahah…), as noites de sono bem dormidas, as coisas que você aprende, as coisas que você imita, a sua fome de leão, os seus dentinhos mais lindos, os seus olhos redondinhos, a sua barriga de sapo, os seus pés de bisnaguinha, a sua dança do rebolation, as suas calças pula-brejo, o seu sono na nossa cama, esse cabelo amarelo que nasce todo torto, os seus abraços nos nossos joelhos quando a gente está sentado no sofá, os seus beijos de boca aberta… Nossa, filho, é tanta coisa que nos alegra, tanta coisa que a gente se acaba de rir com você, que tanta que nos faz lembrar o porquê escolhemos ter um filho…

Obrigada por você existir e ser esse menino carinhoso e fofo que é! Esse é o primeiro de muitos aniversários que virão e a mamãe e o papai vão sempre babar em você, nosso príncipe, heheheh…

Te amamos demais!!!